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São Paulo perde passageiros no transporte coletivo em 2025, apesar de avanços na modernização

São Paulo perde passageiros no transporte coletivo em 2025, apesar de avanços na modernização

O transporte por ônibus municipais em São Paulo registrou nova queda no número de passageiros em 2025, de acordo com dados da SPTrans. Entre janeiro e novembro do ano passado o sistema transportou cerca de 7,05 milhões de usuários, abaixo dos 7,13 milhões registrados no mesmo período de 2024, indicando uma retração na demanda pelo transporte coletivo urbano.

 

Essa redução ocorre em um contexto em que o transporte público ainda não retornou aos níveis pré-pandemia,  quando o volume era próximo de 9 milhões. Especialistas apontam que a migração para modos de transporte individual, como motocicletas, tem sido um dos fatores que explicam a diminuição de passageiros. Parte dessa mudança é atribuída à maior atratividade do transporte individual e às condições de serviço, como intervalos longos e tempos de espera elevados, que desencorajam o uso do ônibus.

 

Para a Federação das Empresas de Transportes de Passageiros do Estado de São Paulo (FETPESP), a queda no número de passageiros do transporte coletivo na capital paulista é motivo de preocupação, especialmente quando os dados de 2025 são comparados aos níveis registrados antes da pandemia de Covid-19. Durante o período de restrições de mobilidade, a demanda pelos sistemas de transporte chegou a cair cerca de 80%, mesmo com a manutenção de quase toda a frota em operação. Desde então, o setor vinha apresentando sinais de recuperação ao longo dos últimos cinco anos, acompanhados de investimentos das empresas na modernização dos veículos e no aprimoramento da gestão operacional.

 

No entanto, o transporte coletivo segue perdendo espaço para o transporte individual, considerado mais poluente e menos seguro, cenário que é agravado por políticas públicas que acabam estimulando o uso de automóveis e motocicletas. Para a entidade, a reversão desse quadro passa pela priorização dos ônibus nos sistemas viários, com ganhos na redução do tempo de viagem, menor espera nos pontos e maior fluidez no trânsito.

 

“É preciso conferir prioridade aos ônibus para que o transporte coletivo se torne mais competitivo, rápido, seguro, eficiente e ambientalmente sustentável, com a modernização da frota e a adoção de veículos não poluentes”, afirma o Mauro Herszkowicz, presidente da FETPESP.

 

Publicado por: Patrícia Cré

6 de fevereiro de 2026